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Quando a esmola é demais, o santo desconfia – o velho dito popular poderia ser uma ótima ferramenta para escaparmos das “pegadinhas” que aparecem por toda parte, no entanto a desconfiança por si só não nos leva aos fatos (geralmente obscuros) que explicam as ofertas generosas. Tentar entender o que está por trás daquela oferta tentadora é um desafio interessante e nos faz compreender coisas que vão muito além da boa vontade do ofertante.

A esmola – há alguns meses atrás achei que seria um bom negócio trocar o meu carro por um 0km, na época eu havia dinheiro suficiente para comprar um sedan à vista e estava preparado para utilizar o meu poder de comprar como “arma” para barganhar um desconto na caranga. Na loja, a vendedora foi logo sacando suas planilhas de financiamento dizendo que o carro poderia ser pago em 36 parcelas de R$ 1.518,08 (total de R$ 54.650,74, juros de 0,49% a.m.). Taxa de juros mais baixa que o rendimento da poupança?! Isso é uma dádiva! Vou colocar meu dinheiro na poupança, ganhar 0,60% a.m. pelo dinheiro aplicado, pagar 0,49% a.m. de juros do financiamento e ganho 0,11% a.m.!  – Um excelente negócio!

A desconfiança – pergunte para qualquer pessoa em sã consciência sobre o que ela prefere: i. aplicar o dinheiro na poupança e obter rendimentos de 0,6% a.m. ; ou ii.  emprestar o dinheiro para um desconhecido comprar um carro e obter rendimentos de 0,49% a.m.? Neste caso aplicar o dinheiro na poupança, além de ser muito menos arriscado garante retorno ainda maior, portanto por que a montadora estaria disposta a fazer justamente o contrário? É como se eles estivessem me emprestando R$ 49.990 (valor do carro à vista) para eu comprar o carro e eu lhes devolveria o dinheiro pagando juros de 0,49% a.m.).

Os fatos – embora minhas pesquisas (muitas vezes informais) não comprovem os fatos, me permiti tirar algumas conclusões que me parecem muito pertinentes.  Basta uma simples pesquisa na internet para constatar que os preços dos carros no Brasil são muito mais caros que no exterior. Segundo uma das inúmeras reportagens sobre o assunto, o carro citado anteriormente poderia facilmente ser vendido R$ 15.000 mais barato, ou seja, R$ 34.990, portanto, o que a montadora está propondo de modo obscuro é um empréstimo de R$ 34.990 para ser pago 36 “suaves” prestações de R$ 1.518,08, portanto juros de 2,64% a.m. e não os atrativos 0,49% a.m.

A estratégia das montadoras é criar um aumento fictício do preço à vista dos carros, e com isso condicionar um comprador racional a não somente comprar um automóvel, mas também a fazer um financiamento com taxas bastante atrativas.  Não é a toa que os vendedores das concessionárias recebem uma comissão maior quando vendem um automóvel por meio de financiamento. Fica a pergunta: Caberia aqui um indiciamento por prática de venda casada?

Somente esta prática isolada já seria digna de enquadramento desta prática como venda casada (Lei 8.884 / 94, artigo 21º, XXIII – A prática de venda casada configura-se sempre que alguém condicionar, subordinar ou sujeitar a venda de um bem ou utilização de um serviço à aquisição de outro bem ou ao uso de determinado serviço).

Não bastante, nota-se que para que essa prática seja viável é necessário que o preço do automóvel seja muito superior ao “normal” e tratando-se de um mercado de livre concorrência, as montadoras só conseguiriam tal feito de dois modos: i. se todas praticassem políticas similares de preços mantendo-os acima do “normal” e não deixando alternativas para o consumidor pagar mais barato, o que caracterizaria a prática de cartel, crime econômico que deveria ser severamente punido no Brasil; ou ii. se a demanda por automóveis no Brasil estiver muito acima da oferta, ou seja, muita gente querendo comprar e poucos carros no mercado para serem vendidos, gerando uma pressão inflacionária e elevando o preço dos automóveis.

A primeira hipótese soa um pouco conspiracionista, difícil de acreditar que possa existir um pacto de preços envolvendo tantas montadoras no mercado. Eu até gostaria de acreditar na segunda hipótese, mas considerando que recentemente foi noticiado que as montadoras atingiram o nível de estoques mais alto desde 2008, não entendo porque mesmo assim os preços dos automóveis continuam muito acima do “normal”.

Independentemente dos fatos, meu santo anda desconfiado e pensando bem, meu carro nem está tão velho assim, trocar pra que?

As coisas já não estavam indo tão bem como antes, mas eu nunca acreditei muito nisso, vivia sem ter muita noção das minhas atitudes, foi nesse momento que um amigo meu me apresentou um conhecido: o Aristeu, o gerente da boca.  Era um cara simpático, bem afeiçoado, endinheirado e sempre ligado nas últimas do mercado. Não preciso dizer que em pouco tempo tomei gosto pelo Aristeu.

Pelo menos uma vez por semana eu passava no seu posto de trabalho para trocar umas palavras com ele e mais algumas semanas ela sentiu que poderia oferecer um de seus produtos para eu experimentar. Confesso que no começo eu refuguei, mas ele me disse que era coisa boa e insistiu para que eu experimentasse que eu tinha até 30 dias para pagar.

No começo foi uma sensação gostosa, de liberdade, algo que eu nunca tinha sentido antes, eu estava eufórico, procurava aproveitar ao máximo na noite e com meus amigos. Eu era “o cara” e que nada poderia acontecer comigo.

Algum tempo depois, quando fui pagar o Aristeu, acabei pegando o dobro do que havia pegado antes. Além de pagar depois, estava realmente curtindo aquele negócio e a partir de então, quanto mais eu pegava com o Aristeu, mais eu queria. Invariavelmente, a coisa se tornou uma bola de neve.

Alguns amigos tentavam me alertar para os riscos que eu estava correndo, mas eu queria consumir cada vez mais, menos de um ano depois eu comecei a perceber que eu já estava dominado. Estava sendo consumido por aquilo que antes eu dominava (pelo menos eu achava que sim).

Foi então que perdi meu carro, minha casa e meus amigos, cheguei até a dormir na rua. Já não conseguia mais pagar o Aristeu, que passou a me ameaçar enquanto eu não quitasse minha dívida com ele. E eu sabia que tinha que parar com aquilo, mas no desespero sempre recorria o Aristeu e minha dívida aumentava cada vez mais.

Notei que durante todo esse tempo, Aristeu sabia que não estava fazendo bem para mim, mas a ganância o fez continuar oferecendo para mim algo ruim o suficiente para me levar ao fundo do poço em pouco mais de um ano. Penso até que seja uma lógica burra, pois assim como eu Aristeu vem acabando com a vida de diversos brasileiros e perdendo seus clientes por causa de seu próprio produto.

Na verdade Aristeu não era o gerente da boca, Aristeu era gerente do banco. Seu “produto”? Empréstimos, créditos consignados e títulos de capitalização…

Como saber o seu valor e negociar o seu salário.

– “Quanto você quer ganhar?” A pergunta é simples e corriqueira nas entrevistas de emprego, mas a resposta nem sempre é tão fácil. Para saber quanto você vale não basta somente levar em consideração a intuição e suas ambições; existem diversos fatores que podem influenciar no seu salário justo e que devem ser analisados na hora de saber quanto você vale no mercado. Não existe fórmula mágica e precisa capaz de responder a essa pergunta, mas com poucas variáveis podemos montar um modelo simples e funcional que talvez seja muito útil numa eventual negociação salarial.

Você é uma empresa – trabalha, gera resultados, cresce, assume riscos, investe, gasta e paga suas contas. Deste modo, tomo a liberdade de sugerir que o mesmo modelo de avaliação adotado pelos financistas para saber o valor de mercado de uma empresa pode ser utilizado para se estimar o quanto você vale no mercado.

Tomemos como base um dos modelos mais simples de avaliação de empresas, o modelo de Gordon, que é dado pela seguinte fórmula:

V = FC  X  (1+g)   .
(i – g)

Onde:

V = Valor da empresa (no caso, o seu valor)
FC = Fluxo de Caixa Gerado pela empresa (seu salário)
g = taxa de crescimento esperado para a empresa (o seu crescimento esperado na empresa)
i = taxa de desconto que deve refletir o risco associado ao negócio (risco de se trabalhar nesta empresa)

De acordo com esse modelo o valor de uma empresa depende de três fatores: Fluxo de Caixa gerado, taxa de crescimento e risco. Basta uma análise rápida nos numeradores e nos denominadores para notarmos que tanto o fluxo de caixa quanto a expectativa de crescimento da empresa contribuem de forma significativa para aumentar o seu valor; por outro lado, fluxos de caixas elevados e taxas de crescimento elevadas não justificam um alto valor caso o risco associado também seja alto. Estes são alguns princípios básicos aplicados no processo de avaliação de empresas, mas como podemos aplicá-lo para saber o que responder quando te perguntarem “Quanto você quer ganhar?”.

Primeiramente vejamos quanto você vale: supondo que você ganhe R$ 2.000 por mês em uma empresa que lhe oferece um plano de carreira onde seu salário aumenta em média 10% ao ano e sendo um emprego estável, onde os baixos riscos podem ser equivalentes ao retorno financeiro de um investimento seguro como a poupança (12% a.a. por exemplo) e aplicando o modelo de Gordon, podemos concluir que seu valor atual é de R$ 1.320.000 (um milhão trezentos e vinte mil reais) conforme demonstrado a seguir:

1.320.000 = (2.000 X 12) X (1+10%)   .
(12% – 10%)

* O salário foi multiplicado por 12 meses para que se possa trabalhar com todas variáveis em base anual.

Agora supondo que a nova proposta de emprego seja para uma empresa onde os riscos assumidos são similares ao do seu emprego atual e com poucas oportunidades de crescimento salarial, onde você deverá permanecer muitos anos no mesmo cargo de tal modo que seu salário deverá crescer pouco acima da inflação em decorrência do dissídio coletivo (6% a.a. por exemplo). Supondo ainda que seu valor seja o mesmo, basta voltarmos ao modelo de Gordon para se ter uma base salarial racional que lhe permita saber o quanto você deve ganhar na nova empresa.

FC = V  X   (i – g)   .
(1 + g)

74.716,98 = 1.320.000 X (12% –6%)   .
(1 + 6%)

* Dividindo o salário anual de R$ 74.716,98 em 12 meses, concluímos que o salário equivalente para se trabalhar na nova empresa deve ser de aproximadamente R$ 6.226.

Entendendo as variáveis e sua aplicação

Valor (V) – Embora o seu valor possa mudar ao longo do tempo (e muda), geralmente partimos do pressuposto de que ele é constante, ou seja, na hora de mudar de um emprego para o outro, o seu valor não deveria mudar, exceto quando você esteja sendo remunerado abaixo do que seria justo.

Taxa de Crescimento (g) – Embora o crescimento de uma empresa possa depender bastante do crescimento econômico do país, nada impede que ela cresça além da economia, basta que haja outros fatores como oportunidades de mercado ou a simples melhoria da gestão para que o crescimento da empresa supere a média. E assim como o seu crescimento profissional pode depender diretamente da empresa onde você trabalha, nada impede que você (e o seu salário) cresça dentro dela num ritmo superior ao da própria empresa, basta haver oportunidades na sua área e que você demonstre um desempenho superior aos demais.

Risco (i) – Não existe ganho sem que você assuma risco, inclusive no trabalho. Geralmente, as boas condições de trabalho e a estabilidade no emprego podem representar um baixo risco. E o profissional que se expõe a mais riscos, deverá exigir um salário maior que compense os riscos assumidos. Em geral os servidores públicos, por exemplo, podem até reclamar dos baixos salários, mas dificilmente irão reclamar da instabilidade de seus empregos; já os profissionais liberais como os advogados podem até serem bem remunerados pelos serviços prestados, mas estão mais freqüentemente preocupados com possíveis períodos de vacas magras, quando podem amargurar meses sem receber um honorário.

Fluxo de Caixa (FC) – O investidor aplica recursos financeiros em um negócio pois espera ser rentabilizado pelo fluxo de caixa gerado pela empresa do mesmo modo que o trabalhador dispõe de sua mão-de-obra na expectativa de recebimento do seu salário.

Limitações

Um dos problemas da aplicação do modelo de Gordon está principalmente na atribuição da taxa de crescimento. Quando assumimos uma taxa de crescimento neste modelo, estamos partindo do pressuposto que ela se mantém eternamente. Assim, com um salário de R$ 2.000 e uma taxa de crescimento de 10% ao ano, pode esperar-se que o salário deste mesmo sujeito 20 anos depois seja de mais de R$ 13 mil e após 40 anos passe a faixa dos R$ 90 mil por mês.

Pelo modelo de Gordon fica mais difícil fazermos análises precisas com pagamento de bônus anuais, férias, 13º e com períodos mistos alternados entre crescimento e estabilidade salarial. Além disso, este modelo não permite tirar nenhuma conclusão quando a taxa de crescimento for maior que a taxa de desconto (risco – “i”).

Estes problemas podem ser contornados com a utilização dos princípios do Fluxo de Caixa Descontado, resultando em análises mais precisas, mas que também tornam a avaliação mais complexa (baixe aqui planilha modelo para você calcular o seu salário ideal pelo FCD).

Deste modo, pela sua simplicidade, o modelo de Gordon única e exclusivamente pode apresentar resultados bastante enviesados; no entanto devido justamente a sua simplicidade, fica fácil entendermos por que podemos aceitar ganhar menos em determinadas empresas dependendo do risco e do potencial de crescimento que tivermos.

Artigo de Luis Fernando Santos – falcao007@gmail.com

É comum escutar algumas celebres frases do tipo “Eu ganho pouco” ou “O que eu ganho não é o suficiente”, mas a pergunta que todos deveriam fazer e não fazem é “Por que eu ganho pouco?”. Simplesmente dizer que ganha pouco e que o salário é baixo é comum para quem costumar gastar mais do que ganha, mas insistindo no título do artigo, “Por que você ganha pouco?”.  Para concluirmos se você realmente ganha pouco é necessário estabelecer alguns parâmetros.

Um dos parâmetros mais comuns é pesquisar o mercado de trabalho. Quanto estão recebendo os profissionais que exercem as mesmas tarefas e tenham as mesmas qualificações que você? Os seus colegas da época da faculdade estão recebendo mais que você? Duas pesquisas básicas e rápidas que podem trazer alguns dados interessantes, se ao final dessa pesquisa você se deparar com o cenário onde “O mercado paga mais e os seus colegas recebem mais” então acredito que chegou a hora de procurar novos ares, novos desafios e revisar o seu currículo, nesses casos um tentativa de reajuste salarial junto ao chefe exige coragem e é válida, pois se você viu que recebe menos do que deveria, nada mais justo que uma conversa amigável.

Outro possível cenário é: “Você recebe de acordo o mercado e seus colegas também recebem o mesmo”, mas mesmo assim você ainda acha que recebe pouco. Neste caso, talvez seja a hora de melhorar o seu currículo com bons cursos, você tem MBA? fala inglês fluente? No mundo globalizado em que vivemos não temos como fugir do inglês, o mundo fala inglês! Tudo bem que o espanhol é caliente, o francês é a língua dos amantes, mas para business é inglês e ponto. Com relação ao MBA é cada vez mais recorrente em conversas do mundo coorporativo, porém os melhores são ministrados em inglês, por tanto não há como procrastinar neste bendito idioma. Se conhecimento não for o seu problema, é possível que a sua estagnação salarial seja decorrente da sua produtividade, tente pensar como se você fosse uma unidade de negócio (UN) da sua empresa, que tipo de UN você seria? Você está gerando valor para a empresa? O que você gera de valor é muito superior ao que você ganha? Então demonstre isso e você será recompensado.

Um terceiro cenário distante, mas possível, é o seguinte: “Você recebe mais que o mercado, e está acima dos seus colegas”. Então, talvez seu caso seja o mais grave, exigindo uma boa dose de estudo e reflexão, pois como é possível você ganhar acima da média e ainda ter a sensação de ganhar pouco? Há duas hipóteses: o descontrole financeiro gerando gastos maiores que a sua receita vai sempre te dar a sensação de baixo salário, portanto é hora de rever seus gastos; outra hipótese menos comum, é a de que você esteja com suas contas sob controle e já tenha uma reserva financeira confortável, mas mesmo assim acha que ganha pouco, acredito que chegou a hora de partir para o empreendedorismo, iniciar um novo negócio, aliando seu conhecimento profissional mais a sua paixão por um determinado assunto e arriscar, estude a fundo a sua empreitada, faça uma boa análise financeira do seu investimento, avaliado o risco e o retorno envolvidos no seu projeto (para tal, o uso da TIR e do VPL são altamente recomendáveis como Métodos de Análise de Investimento) e boa sorte!

E então o que você está esperando para pedir um aumento, aprimorar seus conhecimentos, mostrar produtividade, gastar menos ou simplesmente partir para uma nova empreitada? Você ainda acha que ganha pouco? Só depende de você.

Leia também o artigo “Quanto você vale no mercado?” e aprenda a calcular seu salário justo.

A degradação do sistema educacional no país me faz cada vez mais repensar sobre a minha crença no tão falado crescimento econômico e social no país. Em seu brilhante artigo “Cruzadas pela Educação”, Ozires Silva já alerta que “nossa população é, em sua maioria, incapaz de entender um texto ou de calcular uma simples porcentagem. Até mesmo a capacidade de pensar e de resolver simples questões de raciocínio já está comprometida nos jovens, de quem dependemos para construir nosso futuro”. Não é difícil encontramos alunos no último ano da faculdade que não sabem sequer fazer uma regra de três (aquela mesmo que você aprendeu, ou ao menos deveria ter aprendido com a tia Marocas na 6ª série!). Mas isso não é relevante, o que me preocupa mesmo é que esse pessoal todo está motivado.

Sim, este pessoal está motivado porque em sua grande maioria foram acostumados a viver num ambiente onde as críticas não são bem vindas e por isso as pessoas as poupam de fazê-las. Pais inseguros são incapazes de dizer um “não” para o filho com medo de perder o seu afeto. Quando um aluno é flagrado colando numa prova, vemos pais chegando ao cúmulo de irem até a escola defenderem seus filhos alegando que eles são esforçados e por isso não merecem ser punidos. Falar a verdade para um filho dói, mas às vezes é necessário.

Como conseqüência de uma vivência imune às críticas, vive-se num mundo de bajulações onde facilmente se criam falsos heróis que nada ou pouco fizeram, mas lá estão: se formando na faculdade, cheios de sonhos e ilusões na vida. São idolatrados pelos parentes, amigos e até professores. Às vezes não sabem sequer fazer um “o” com um copo, mas ninguém é capaz de alertá-los para isso.  Não sabem nada e estão motivados.

Em entrevista para a revista ISTOÉ, Roberto Shinyashiki quando indagado se temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas respondeu: “Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.”

É essa gente incompetente que está proliferando no mercado de trabalho. Quando atingem algum cargo que lhes atribui algum poder se tornam cada vez mais arrogantes e invariavelmente instituem a cultura do “quem sabe faz, quem não sabe manda”. Apenas esquecem que o poder puro simplesmente não lhes atribui autoridade e por isso não é completo, tampouco sustentável. O poder pode ser delegado, a autoridade só se conquista com conhecimento. 

Agora pense em quanta gente você conhece que se gaba tanto do poder que lhes foi atribuído, mas que não tem competência alguma para tal, em geral essa gente pouco ou nada contribuí para o crescimento econômico, social e cultural do país. Enquanto puderem mamam no poder à custa de outrem, sabem que o poder é a única coisa que têm e se o perderem nada serão. Estão cercados de assessores, subalternos e gente que os incentivam, bajulam e os enaltecem como heróis. Do mais alto escalão político do país ao chefe de repartição de uma pequena empresa, não faltam exemplos de burros motivados – é disto que eu tenho medo.

Segundo Alexandre Tombini, presidente do BC, é hora de poupar, não de consumir.

Será que é tão simples assim?

Não, nós não somos educados o suficiente para entender e “cooperar” com o pedido de Tombini, sempre fomos acostumados a querer mais. Na abundância do ano de 2010 eu comprei meu carro novo e a TV 42” das crianças, agora que vocês me deram condições, eu já ia comprar o meu apartamento quando vem o governo dizer que estou gastando muito e pede para maneirar? É como pedir para a criança devolver o doce depois dela ter dado a primeira mordida.

Até agora a única pessoa que tinha reclamado era o S. Sérgio, carteiro lá do bairro, que de uma hora para outra viu o peso da sua bolsa dobrar de tantos boletos, carnês e faturas que ele passou a entregar em toda vizinhança.

Há poucos meses atrás vi o governo enaltecer tanto o poder de compra do povo brasileiro que até angariou votos para a sua candidata! Agora que nós estávamos acreditando na continuidade deste conto de fadas vocês me aparecem com o bicho papão?

Em 2009 o barbudo manda gastar, agora seus sucessores mandam poupar, cada hora vocês pedem uma coisa! Já nem sei mais o que é pra eu fazer com o pouco dinheiro que me resta! Assim não é possível! Será que não dá para vocês se planejarem direito?

Na boa, até posso gastar menos, mas você bem que podia ajudar também né? Poxa, é verdade que comprei um carro novo, TV, etc, mas acho que o Sr. Governo gastou muito mais, não? Porque verdade seja dita, nos últimos anos o senhor aumentou muito mais os gastos do que os investimentos e agora eu é que tenho que poupar?

Afinal, bem sabemos que em relação ao ano passado, este ano vocês já gastaram R$ 13,2 bilhões a mais com salários dos seus colegas de trabalho ao mesmo tempo em que reduziram R$ 50 bilhões dos investimentos.

Acho que estou começando a entender, deve ser o velho lance do “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.