As coisas já não estavam indo tão bem como antes, mas eu nunca acreditei muito nisso, vivia sem ter muita noção das minhas atitudes, foi nesse momento que um amigo meu me apresentou um conhecido: o Aristeu, o gerente da boca.  Era um cara simpático, bem afeiçoado, endinheirado e sempre ligado nas últimas do mercado. Não preciso dizer que em pouco tempo tomei gosto pelo Aristeu.

Pelo menos uma vez por semana eu passava no seu posto de trabalho para trocar umas palavras com ele e mais algumas semanas ela sentiu que poderia oferecer um de seus produtos para eu experimentar. Confesso que no começo eu refuguei, mas ele me disse que era coisa boa e insistiu para que eu experimentasse que eu tinha até 30 dias para pagar.

No começo foi uma sensação gostosa, de liberdade, algo que eu nunca tinha sentido antes, eu estava eufórico, procurava aproveitar ao máximo na noite e com meus amigos. Eu era “o cara” e que nada poderia acontecer comigo.

Algum tempo depois, quando fui pagar o Aristeu, acabei pegando o dobro do que havia pegado antes. Além de pagar depois, estava realmente curtindo aquele negócio e a partir de então, quanto mais eu pegava com o Aristeu, mais eu queria. Invariavelmente, a coisa se tornou uma bola de neve.

Alguns amigos tentavam me alertar para os riscos que eu estava correndo, mas eu queria consumir cada vez mais, menos de um ano depois eu comecei a perceber que eu já estava dominado. Estava sendo consumido por aquilo que antes eu dominava (pelo menos eu achava que sim).

Foi então que perdi meu carro, minha casa e meus amigos, cheguei até a dormir na rua. Já não conseguia mais pagar o Aristeu, que passou a me ameaçar enquanto eu não quitasse minha dívida com ele. E eu sabia que tinha que parar com aquilo, mas no desespero sempre recorria o Aristeu e minha dívida aumentava cada vez mais.

Notei que durante todo esse tempo, Aristeu sabia que não estava fazendo bem para mim, mas a ganância o fez continuar oferecendo para mim algo ruim o suficiente para me levar ao fundo do poço em pouco mais de um ano. Penso até que seja uma lógica burra, pois assim como eu Aristeu vem acabando com a vida de diversos brasileiros e perdendo seus clientes por causa de seu próprio produto.

Na verdade Aristeu não era o gerente da boca, Aristeu era gerente do banco. Seu “produto”? Empréstimos, créditos consignados e títulos de capitalização…

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